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jornaldodiaadia

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Naufrágio à vista - Crescem os novos pobres, recrutados especialmente entre a classe média

Com um elevadíssimo desemprego, mesmo quando os números oficiais registam decréscimos, que têm sido muito lentos e às vezes são interrompidos por acréscimos pontuais (assim como o preço dos combustíveis que às vezes desce às vezes sobe), com um crescente alargamento do fosso social - menos gente no topo da pirâmide e muito mais gente na base - e com o mar agitado dos aumentos dos impostos e da austeridade, a classe média em Portugal está a naufragar.

Crescem os novos pobres, recrutados especialmente entre a classe média, onde cabem muitos licenciados que já viveram confortavelmente

Sempre foram (e em muitos casos particularmente por via do acesso à propriedade que habitam) a coluna vertebral do crescimento de muitas economias, mas hoje deixaram de ser a prova de que a chamada terceira via - nem capitalismo selvagem nem socialismo colectivista - poderia funcionar como terá funcionado em alguns países da Europa do Norte, ainda muito marcados pela matriz da social democracia.

Com menos emprego, com menos Estado Social pela via da redução do acesso a serviços públicos anteriormente garantidos, crescem os novos pobres, recrutados especialmente entre a classe média, onde cabem muitos licenciados que já viveram confortavelmente e que agora chegam a fingir que não passam fome e tentam acreditar que a culpa do que está a acontecer é deles, por alegadamente terem vivido acima das possibilidades.

Todos nós tentamos acreditar que isto está a melhorar um pouco, devagarinho, mas a melhorar um pouco. Sabemos que será muito difícil conseguirmos o pleno emprego, mas com os actuais valores de desemprego existentes as perspectivas para a classe média são verdadeiramente assustadoras. Os desempregados de longa duração, na casa dos 50 anos de idade, mesmo quando são altamente qualificados olham para o futuro com angústias nunca antes imaginadas.

Ter emprego já não é garantia de escapar à queda. Numa das últimas estatísticas, quase 15% dos portugueses que tinham trabalho estavam em risco de tornar-se pobres. Mesmo continuando a trabalhar, essa situação distorce a própria ideia de classe média - o exército que alimentava o movimento dos museus, o público dos teatros e das salas de música, os frequentadores dos restaurantes de boa qualidade e até os leitores de certas revistas e de certos jornais, bem como o negócio dos carros de gama média alta, ou o negócio das viagens turísticas.

Muitos destes portugueses suspeitam estar a ser olhados pelos filhos como um fardo pesadíssimo, situação que é mais agravada quando os filhos, grande parte da geração portuguesa mais qualificada de sempre, estão fora do país e sem grande vontade de regressar, apesar do amor que continuam a ter por Portugal. Há muito que se sabe que essa história de amor e uma cabana é coisa que nem nos romances cor de rosa já se consegue acolher.

Não podemos ignorar e devemos tentar evitar este naufrágio anunciado. Quando sabemos que a classe média está a perder terreno, está a perder o emprego, está a perder a casa, está a perder a face e, o que é mais preocupante, está a perder a vontade de dar a volta a esta situação e de reencontrar os caminhos do crescimento e do desenvolvimento equilibrados.

Texto de: Luis Lima Presidente da APEMIP para o Jornal SOL

Quem está a ganhar com esta privatização da TAP? (in: Jornal Publico)

“Não lançaremos a privatização a poucos meses das eleições legislativas.” Palavra de Pires de Lima. Uma promessa feita ao jornal Expresso no dia 19 de Julho de 2014, a propósito da venda da TAP. Estamos a poucos meses das eleições, até já se conhecem os programas eleitorais, e o Governo está a privatizar a TAP. Usando uma expressão do próprio ministro da Economia, o Governo já deu “corda aos sapatos” e nada parece travar a intenção de vender a TAP, custe o custar. Mesmo que não custe nada. Mesmo que a companhia de bandeira nacional seja vendida por um vintém.

A pressão e a dramatização que colocou na venda da TAP é tal que o Governo deixou pouca ou nenhuma margem de recuo para abortar a operação, mesmo que as propostas de Germán Efromovich e de David Neeleman sejam más e lesivas para o interesse do Estado. Mesmo que a credibilidade de alguns dos candidatos deixe muito a desejar. Há uma pressão enorme para vender a empresa antes da viragem do ciclo político. São escritórios de advogados, são consultores, são facilitadores de negócios, todos de mão estendida à espera dos honorários, das comissões, das avenças e dos success fee. O failure fee, se o negócio for ruinoso para o Estado, ficará para os contribuintes. Até há comentadores que opinam semanalmente sobre o negócio na TAP, e os escritórios onde trabalham estão ligados aos candidatos à compra.

Claro que há interesses à volta do negócio que só conheceremos daqui a uns anos; outros de que nem daremos conta. Já agora, o que é feito da indignação dos socialistas que, em 2012, exigiam que Passos Coelho esclarecesse todas as ligações de Miguel Relvas à privatização da TAP? Na altura, Rui Paulo Figueiredo, do PS, constatava: "Hoje conhecemos as relações de promiscuidade entre o ministro Miguel Relvas e o potencial adquirente da TAP, Germán Efromovich, e vários escritórios de advogados e de consultoria brasileiros e portugueses." Ficou tudo esclarecido, senhor deputado Rui Paulo Figueiredo?

Passos Coelho diz que receia que, sem privatização, a TAP se torne "uma tapezinha". A TAP não precisa de ser uma "tapezona"; precisa de fazer os voos para a Madeira, Açores e para onde haja comunidades relevantes de emigrantes portugueses. E fazer as rotas que forem financeiramente rentáveis. A última empresa com tiques de megalomania foi a Portugal Telecom, que num ápice passou a ser uma pêtêzinha. Esta semana, a PT SGPS passou a chamar-se PHarol e a PT Portugal passou a filial de uma empresa de telecomunicações francesa. Se calhar vai ser retalhada e vendida a granel.

Aliás, a PT e a TAP têm muito em comum. São marcas acarinhadas pelos portugueses e sempre estiveram no top 10 das mais valiosas. A primeira foi um case study a nível mundial em termos de inovação, e a segunda carrega a bandeira de ser uma das mais seguras do mundo. Em comum também têm o facto de ambas terem feito investimentos ruinosos que desequilibraram as contas; Zeinal Bava e Henrique Granadeiro da PT investiram 900 milhões em papel comercial do Grupo Espírito Santo, e Fernando Pinto fez um investimento ruinoso ao comprar uma empresa de manutenção no Brasil que ainda hoje impede a companhia de ter lucros. Sendo que ambos os negócios estão a ser investigados pela Procuradoria-Geral da República.

Em ambos os casos, as companhias foram entregues de bandeja a investidores brasileiros: a PT foi parar às mãos da Oi, que a despachou na primeira oportunidade para reduzir a dívida, e a TAP será “oferecida” a Germán Efromovich ou a David Neeleman, ambos com passaporte brasileiro. A PT acabou como acabou e a TAP cá estaremos para contar o resto da história.

Germán Efromovich há dois anos ganhou a privatização da TAP. Assumiu o compromisso de pagar 35 milhões de euros ao Estado, injectar 300 milhões na empresa e assumir dívida de mais de mil milhões de euros. Quando chegou a altura de passar o cheque ao Estado, disse que não tinha garantias bancárias. Um mau cartão-de-visita para quem pelos vistos não tinha um grande cartão de crédito. David Neeleman, que já tentou por três vezes colocar a sua empresa em bolsa e falhou, tem passaporte americano e brasileiro e, segundo as leis europeias, não pode comprar mais de 50% do capital da TAP. Como tal, Humberto Pedrosa, presidente da Barraqueiro, é quem aparece como líder do seu consórcio com 50,1% do capital. Esta tentativa pateta e tosca de contornar as regras europeias vai passar? Um destes dois senhores será o futuro dono da TAP.

Se calhar a privatização é a melhor alternativa para a TAP nesta altura, tendo em conta o buraco onde Fernando Pinto meteu a companhia. Mas não deverá ser feita a qualquer preço, vendida a qualquer um e muito menos à pressa só para encher os bolsos dos facilitadores de negócios e escritórios de advogados. É caso para perguntar: se o país não está a ganhar dinheiro com a privatização da TAP, quem estará?

Mesmo que a privatização falhe, não será o fim do mundo. Não seria a primeira vez. Seria a terceira. Se Fernando Pinto está a implementar um plano de reestruturação para recuperar os prejuízos provocados pela greve dos pilotos, também pode fazer um outro para recuperar os prejuízos que ele próprio provocou na TAP. E se tiver de despedir alguém, que ele seja o primeiro da lista.

Texto: 

E começo por isto,

“Não sou particularmente inteligente, não sou poderosa. Sou apenas uma pessoa normal, e isso é o que mais lhes preocupa. Isto é uma amostra de quanto poder os cidadãos comuns têm”. – Ada Colau futura Presidente Câmara de Barcelona

Só por dois momentos em termos políticos (que são do mesmo género), fui capaz de me emocionar, de ter aquela sensação de vazio na barriga, tal e qual quando estamos apaixonados e somos capazes de tudo porque acreditamos. Sim considero o “movimento que se lixe a troika” um “partido” politico, mesmo que tenha sido um “vento que lhe deu”. Pois não se enganem, um partido politico não é mais de que um grupo de seguidores de uma ideia, doutrina ou pessoa.

Primeiro, com o “movimento que se lixe a troika”, onde foi notório o poder agregador do povo, de uma vontade una, onde milhares de portugueses deixaram a pacatez do seu lar para caminhar pelas ruas, juntos dos 8 aos 80, sem partidos, sem cores politicas, sem amarras, livres.

E uma vez que nunca o fiz, deixo aqui, o meu aplauso aos jovens que criaram este movimento, enalteço a sua bravura o seu querer mudar….e do terem passado mesmo que por breves momentos ao povo esta sensação de liberdade una ….

O segundo, foi com a frase proferida pela Ada Colau, que nunca é demais replicar - “Não sou particularmente inteligente, não sou poderosa. Sou apenas uma pessoa normal, e isso é o que mais lhes preocupa. Isto é uma amostra de quanto poder os cidadãos comuns têm” – o que me levou logo a pensar, que do lado de cá, o governo foi mais inteligente e ao ver a repercussão do “movimento que se lixe a troika” poderia ter, tratou logo de o silenciar, como o fez ou conseguiu, deixa-me a pensar !!!!!

Deixamos, mais uma vez, que nos roubassem a vontade de mudar, mas ficou a lição …. o povo tem a vontade e o querer …. precisa é de alguém que os volte a unir ….. e até setembro não vejo a surgir um novo “Messias” e mais uma vez para muitos vai ser o mesmo de sempre… “pin pan pun ficas mesmo tu”.

Ainda em liberdade,

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São extremamente convincentes as frases de quem bota faladura em nome da nação ou a bem do futuro da nação.

Desmembra-me estar enganado, com certeza, que sim!

Ainda em liberdade!!! Ainda em democracia!!!

Certo, que a liberdade/democracia, não passa de uma rede electrificada, olho para a remuneração de 90% dos meus semelhantes, sim, para a remuneração, que permite aos 90% aspirar/sonhar/pensar que é/tem/sonha/vive liberdade/democracia….e não conseguir perceber que não se perceba, que não se tem liberdade e muito menos democracia….

É tão banal, a electrocussão diária a que estamos expostos, que já se tornou um desporto familiar e aceite….

Somos electrocutados, pela segurança social, pela TSU, pelo pagamento do aluguer dos contadores agua, luz e gás (que desaparecerá a 26 maio, devendo depois dessa data surgir uma versão mais electrizante), pelo IRS, pelo abono escolar, pelos livros escolares que teriam um período de duração de 5/6 anos mas que são mudados anualmente com os dizeres “novas metas curriculares”, a subida da gasolina/gasóleo, futura concessão dos transportes públicos que a bem da nossa saúde nos obrigará a andar a pé, pela colonização massiva que estamos a sofrer de Angola, China, Brasil, pelo desaparecimento dos cuidados de saúde básicos………….

Tão obscuro futuro,

No entanto, para onde vamos? deveria/rá ser certamente o inquietar de consciências para um povo tão monárquico como o português, isto é, temos 10 milhões de reis e rainhas, os quais não conseguem ver para além do seu protetorado.

Acredito que estes 10 milhões de reis e rainhas foram criados pela vontade dos sucessivos governos (sendo cada vez mais visível nestes mais de 40 anos de liberdade, que se repercute nas abstenções e na miséria politica da esquerda à direita) e mídia (sendo visível  na informação vinculada e difundida/defendida nos diversos e parcos programas que alimentam os portugueses) – atribuo 50% de culpa a estes dois elementos.

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Os outros 50%, aos reis e rainhas portugueses, que são o espelho de uma nação e os únicos que se parassem para pensar – para onde vamos? – gritariam de dor por tão obscuro futuro.

Não se apercebem, bem como nunca se vão aperceber, que a vontade deles junta/unida muda nações. Deixam-se ofuscar pelas palas reluzentes que ao longo destas décadas foram oferecidas pela política e pelos meios de comunicação.

Para onde vamos? até tenho medo de pensar e pôr um pé fora do meu reino. Tudo que é símbolo de uma nação está a desvanecer EDP, PT, CTT, Águas e quiçá TAP.

Os reis e rainhas deste pais seguem a bandeira do “sou aquilo que penso que sou, mas no fundo sei que apenas sou aquilo que os outros pensam que eu sou”, e nesta banalização vivemos.

Futuro, para onde vamos? a quem interessa. A ninguém lamentavelmente e a caminho de sermos “achinesados” laboralmente, com todas as consequências politicas e sociais inerentes a tal facto.

E assim num futuro incerto, os 10 milhões de reis e rainhas portugueses, serão os percursores da maior revolução laboral feita numa nação.

Aliás, já vejo cantões espalhados por este mui nobre Portugal, com leis laborais próprias mediante a nacionalidade do acionista.

Texto de Luis Veríssimo - Operado de hemorroidas,

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"Ptolomeu em 150 d.C. falava que a terra era o centro do universo e que tudo girava em torno dela, foram precisos cerca de 1400 anos para esta teoria ser rebatida por Nicolau Copérnico provando para a humanidade que o Sol sim era o centro.

Eu. Simplesmente eu, descobri em apenas três dias, após 56 anos, que ambos estavam redondamente enganados: o centro do universo é o cu.

Isso mesmo, o cu!

Operei de hemorroidas em caráter de urgência algumas semanas atrás. No domingo à noitinha, o que achava que seria um singelo peidinho, quase me virou do avesso.

"É difícil, mas vamos ver se reverte", falou meu médico.

Reverteu merda nenhuma, era mais fácil o Lula aceitar que sabia do mensalão do que aquela lazarenta bolinha (?) dar o toque de recolher.

Foram quase 2 horas de cirurgia e confesso não senti nadica de nada, nem se me enrabaram durante minha letargia! Dois dias de hospital, passei bem embora tenham tentado me afogar com tanto soro que me aplicaram, foram litros e litros; recebi alta e fui repousar em casa.

Passados os efeitos anestésicos e analgésicos, vem a "primeira vez".

PUTA QUI PARIU!!! Parece que você está cagando um croquete de figo da Índia, casca de abacaxi, concha de ostra e arame farpado. É um autoflagelo.

Por uns três dias dói tanto que você não imagina uma coisinha tão pequena e com um nome tão reduzido (cu) possa doer tanto. O tamanho da dor não é proporcional ao tamanho do nome, neste caso, cu deveria chamar dobrovosky, tegulcigalpa, nabucodonosor.

Passam pela cabeça soluções mágicas: Usar um ventilador! Só se for daqueles túneis aerodinâmicos. Gelo! Só se eu escorregar pelado por uma encosta do Monte Everest. Esguichinho d'água! Tem que ser igual a da Praça da Matriz, névoa seguida de jatos intercalados.

Descobri também que somos descendentes diretos do babuíno, porque você fica andando como macaco e com o cu vermelho; qualquer tosse, movimento inesperado, virada mais brusca o cu dói, e como!

Para melhorar as "idas" à privada, recomenda-se dieta na base de fibras, foi o que fiz: comi cinco vassouras piaçaba, um tapete de sisal e sete metros de corda.

Agora sei o sentido daquela frase: "quem tem medo de cagar não come! "Perdi 4 quilos; 3,5 de gordura e 0,5 de cu. Tudo valeu, agora já estou bem, cagando como manda o figurino, não preciso pensar para peidar, o cu ficou afinado em ré menor, uma beleza! A foda é que usei Modess (vulgo penso higiénico) por 20 dias após a cirurgia e hoje tô sentindo falta dele!"

E se fosse 700 europeus mortos, (in: El Pais)

1429533466_580122_1429539512_album_normalSeria una notícia impactante, não é mesmo? Mas, calma: o título é de mentira. Se fosse verdade, correriam rios de tinta nos jornais durante semanas, seriam transmitidas horas e horas de programas noticiosos especiais em todas as televisões, haveria textos à parte com pequenas biografias de todos os mortos, o Parlamento Europeu interviria na questão e os governos nacionais também, normas seriam alteradas e seriam fixadas leis para que isso não voltasse a acontecer, seria revisada a legislação sobre cruzeiros e até modificado o Pai Nosso ou a receita da Coca-Cola se fosse necessário para que semelhante tragédia não se repetisse.

Mas, como lhes disse, o título é de mentira. Ou, pelo menos, inexato. De fato, na segunda-feira morreram afogadas 700 pessoas no Mediterrâneo, em águas de Malta, quando tentavam alcançar as costas italianas. Mas não eram europeus brancos, saudáveis e bem alimentados como você ou eu. Eram negros e eram pobres. E o barco não era o luxuoso cruzeiro de férias como o da foto de cima, mas uma sucata flutuante sobrecarregada como a da foto abaixo. Do resto da notícia, tudo está correto. Eram 700 vidas que buscavam um futuro em outro lugar do mundo, menos inóspito que o seu, desaparecidas em um suspiro porque o barco-sucata onde tinham sido colocadas pelas máfias assassinas de seres humanos virou quando todos foram para o mesmo lado no momento em que apareceu no horizonte um pesqueiro português que ia em seu auxílio.

No meu blog falo de viagens e de turismo. Falo de coisas banais, irrelevantes e lúdicas às quais uma parte privilegiada da humanidade pode dedicar seu tempo livre. Mas hoje não me sinto bem para falar de turismo nem recomendar bons hotéis nem descrever rotas maravilhosas. Eu morreria de vergonha se fizesse isso.Hoje me sobressalto ao ver que, enquanto alguns de nós podem cruzar os mares bebendo champanhe em camarotes com ar-condicionado, os deserdados da África subsaariana – pobres entre os pobres – morrem aos milhares a cada temporada afogados às portas de nossa casa, tentando encontrar uma vida mais justa para eles e seus filhos.

Sei que a solução para o problema não é fácil. Mesmo que combatêssemos essas máfias (o que não fazemos), apareceriam outras. Enquanto houver demanda haverá assassinos mal nascidos dispostos a fazer a oferta. Também sei que a solução da África não é que todos venham para a Europa. A única solução para a África é que os países ricos decidam investir no futuro para os habitantes desse continente. Que unamos nossos esforços para criar infraestrutura, empresas, colégios, hospitais e emprego na África. Além do mais, que façamos isso usando vias não governamentais: o maior inimigo de todos esses deserdados da Terra não são as ondas do Mediterrâneo. São seus próprios governantes, corruptos e ineptos até limites insuspeitáveis, que estão há décadas vivendo à custa de seus povos.

Mas sou pessimista e sei que pedir isso é como fazer um gesto sem sentido. Amanhã, no mais tardar depois de amanhã, esses 700 “turistas” negros e pobres terão passado à hemeroteca. E ninguém se lembrará deles, e nós e nossos governantes voltaremos às pequenas misérias diárias de nosso mundo prazeroso e organizado.

Mas, se você quer ajudar sem necessidade de que o seu governo se decida antes a fazê-lo, há muita gente anônima, muitas ONGs, muitas associações trabalhando in loco pela dignidade desses seres humanos. E você pode ajudar já, agora mesmo, sem esperar que a Assembleia Geral da ONU se reúna para olhar o próprio umbigo. A decisão é sua. Quantos párias amontoados deverão ainda morrer afogados em um barco-sucata à vista de nossas praias para que tomemos consciência de que esse é, sim, um problema nosso, de todos? Até o Papa disse: “Eram homens e mulheres como nós. Buscavam a felicidade”. Perdoem a digressão. Mas hoje eu não poderia falar de turismo.

Igualdade de oportunidades,

A criação de uma sociedade e uma economia próspera, competitiva e inclusiva capaz de aumentar a produtividade e o PIB per capita de todos os indivíduos, envolve a aplicação do princípio da igualdade de oportunidades. Agora, há uma diferença radical entre a concepção desse ideal pelo liberalismo clássico e a professada pela esquerda. O primeiro interpreta como uma carreira aberta a talentos, ou seja, a disponibilização a todos e em igualdade de condições, de facilidades que naturalmente dependem da ação do Estado. Por definição, o resultado dessa política leva a diferentes resultados materiais, porque as pessoas não são iguais. Os segundos aspiram a usar a coerção estatal para aliviar o descontentamento que o sucesso de alguns produz sobre os menos afortunados ou, para colocá-lo de forma mais clara, para apaziguar a inveja disfarçada sobre o respeitável traje da justiça social.

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Estas diferentes visões de igualdade de oportunidades é claramente manifestada nos dois instrumentos básicos que a tornam eficaz: educação e impostos. Os modelos educacionais e fiscais existentes são dois obstáculos óbvios à mobilidade social, porque, na sua configuração actual desencorajam o esforço das pessoas para aumentar o seu nível de vida e de seus filhos através do trabalho, poupança e investimento em capital humano. A tentativa de corrigir esta situação através de políticas redistributivas articuladas em torno de um gasto público maior e fiscalidade agressiva não é a solução, mas uma das causas do problema.

As churrascadas que se avizinham,

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Uma série de estudos recentes tem abalado décadas de aconselhamento dietético estabelecido sobre a ingestão de gorduras. Será a gordura boa agora?

O que devemos comer?

Principalmente vegetais, de todos os tipos e cores, incluindo saladas e outras folhas verdes, que estão carregadas com vários tipos de fitonutrientes e antioxidantes que são essenciais para uma vida saudável. Muitos estudos recentes têm mostrado que pessoas que comem mais vegetais e outros alimentos à base de plantas, tais como feijão, grãos integrais, frutas e nozes -tendem a ter taxas mais baixas de doenças cardíacas e outros problemas de saúde crónica do que aqueles que fazem uma alimentação de base animal.

Mas os pesquisadores também descobriram recentemente que a gordura, caluniada por mais de 40 anos como a principal causa de ganho de peso e colesterol alto, também pode ser parte de uma dieta saudável.

Alimentos como feijão, nozes e peixes, que são ricos em gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas, estão fortemente ligados à boa saúde cardiovascular. Mas vários estudos recentes descobriram que mesmo as gorduras saturadas da carne vermelha, manteiga e queijo podem ser consumidas com moderação, e que os alimentos ricos em colesterol não elevam os níveis de colesterol na maioria das pessoas. Estas descobertas contrariam o que em décadas serviu de orientação dietética, em que se dizia às pessoas que deviam evitar gorduras saturadas (entopem as artérias, provocando ataques cardíacos e derrames).

Agora há evidências crescentes de que o tipo de partículas de LDL associados a gorduras saturadas, conhecidas como padrão-A, não são prejudiciais - "O argumento contra a gordura era total e completamente despropositado"

Muitas das campanhas contra a gordura foram um tiro pela culatra, em parte, porque substituíram as calorias que recebiam do leite e queijo com calorias de carboidratos refinados, como pão branco e massas, que se transformam em açúcar na corrente sanguínea, o que aumenta a produção de insulina e estimula as células a armazenar gordura em vez de queimá-la.

A fisiologia humana é simplesmente demasiado complexa para que os efeitos de um alimento ou nutriente possa ser isolado e bem compreendido num individuo.

Será a dieta mediterrânica a melhor?

Possivelmente, mas não podemos ter 100 por cento de certeza porque quase todos os estudos de dieta são observacionais e por isso têm uma limitação fundamental. Os cientistas vão monitorizar os hábitos alimentares de grupos de teste por anos ou mesmo décadas, e depois tirar as associações entre dieta dos sujeitos e as doenças que sofrem. Tal estudo observacional pode mostrar que as pessoas que comem mais vegetais tendem a viver mais tempo, mas não pode provar o nexo de causalidade - que comer mais vegetais é a razão para que a vida útil seja mais longa. Muitos nutricionistas dizem que o melhor conselho a dar é as pessoas pararem com a obsessão sobre aspetos individuais de uma dieta especial e concentrarem-se sobre a escolha de alimentos produzidos naturalmente e evitar alimentos processados ​​que são carregados com aditivos e açúcar em excesso.

A ingestão de alimentos ricos em colesterol, não contribui de forma significativa para a quantidade de colesterol encontrado no sangue mais do que é produzida naturalmente pelo organismo. Médicos alertam que os indivíduos com problemas de saúde como diabetes ou doença cardíaca devem continuar a evitar alimentos ricos em colesterol, mas o impacto global de tais alimentos em boas condições de saúde pode ser menos importante do que se pensava anteriormente.

As churrascadas que se avizinham, já vão ser saboreadas com outros olhos…

Consciencialização cultural da violência acompanha o evoluir da humanidade,

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Podemos ver o crescendo da consciencialização cultural da violência, na forma como a sociedade tratava as crianças. No cristianismo primitivo, a sociedade pagã considerava as crianças como pouco mais que objectos, com consequências para nos pós-cristãos – era uma crueldade surpreendente. A prática de recém-nascidos abandonados era generalizada e não desaprovada. A maioria das crianças abandonadas morriam se não eram "resgatadas" para a escravidão sexual infantil, que era uma indústria legal e próspera. As fontes relatam que o sexo com meninos castrados, foi considerada muito excitante, e há relatos de bebés castrados para servir a esse propósito. Estas foram práticas famosamente condenadas pelos cristãos, com apoio nas frases onde Jesus segurava crianças, que pretendiam mostrar exemplos e insistência nos cuidados com os "menores" desta civilização emergente, e que pela primeira vez na história do Ocidente, olhassem para as crianças como seres humanos plenos dotados de direitos.

Podemos também perceber esse evoluir no tratamento dos escravos. A primeira vez em toda a história humana, que uma cultura aboliu a escravidão, foi quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano (proibição de relações sexuais entre escravos e senhores, proibição da imagem de marca dos escravos, primeiro na face e, posteriormente, em qualquer lugar ….). A primeira condenação da escravidão por uma instituição em toda a história registada foi feito pelo bispo católico e da Igreja Padre Gregório de Nissa, exortando a sua congregação para ver em seus escravos a mesma imagem de Deus que habita neles e, para libertá-los.

A ascensão do cristianismo, foi um ponto de partida, embora em muitos aspectos irritantemente lento e incompleto ao longo destes séculos (e ainda o é). E a bem da verdade se o Iluminismo fez alguma coisa, foi o acelerar um processo que estava em curso.

A era moderna incluiu uma consciencialização louvável contra qualquer tipo de tirania, mas também incluiu uma boa dose de arrogância utópica perigosa.....