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jornaldodiaadia

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Stephen Hawking: Debate entre a incompatibilidade entre a ciência e a religião,

Deve ser esclarecido desde o início que o ateísmo de Stephen Hawking não é novo. Ele não caiu do cavalo a caminho de qualquer lugar ou viu a luz. Nem sua ausência: como muitas outras pessoas no mundo  antepõem a razão à crença, concluiu ante os enormes mistérios do mundo que não importa quão grande o universo, Deus é dispensável e absurdo. Claro que, quando um cientista se declara ateu, quer expressar que nada do que conhecemos necessita dessa hipótese para ser explicado, como contam que explicou à dois séculos Pierre-Simon de Laplace ao mesmíssimo imperador Bonaparte ao apresentar-lhe o seu livro sobre mecânica.

De um ponto de vista retórico Hawking sabe que não pode provar a inexistência de Deus. Claro que sabe que é improvável que cheguemos a conhecer tudo, a ter os detalhes. Além disso, sabe (porque os cientistas sabem essas coisas que muitos dos humanos simplesmente opinam) que a realidade do cosmos em que vivemos é inerentemente caótico e complexa, que procurar um plano Magistral, um grande projeto, é simplesmente projetar a nossa maneira de compreender o mundo, essa é a visão realmente limitadora contra o poder das equações da física.

Alguém disse, então, que os físicos como Stephen Hawking simplesmente estão a mudar a percepção de Deus traspassando-a para a Natureza, o Todo, ou as leis que descrevem um e outro. Mais uma vez, a partir de um ponto de vista retórico, nós nunca poderíamos resolver o problema completamente, porque nada é mais semelhante ao  ateísmo  do que o panteísmo (Crença de que Deus e todo o universo são uma única e mesma coisa e que Deus não existe como um espírito separado. O panteísmo ensina que Deus é todo o universo, a mente humana, as estações e todas as coisas e ideias que existem).

Claro que Hawking não pretende desmontar a teologia ou metafísica com as suas respostas às perguntas de Pablo Jauregui do jornal EL MUNDO. Não faz falta ao primeiro, porque a teologia é apenas literatura angelical, e porque o segundo só é produtivo como reflexão sobre o conhecimento humano. Se o universo existe para além da nossa visão do universo, Deus não pode ser mais de que uma ficção que tem servido historicamente para que o ser humano não se perca a pensar sobre essas coisas.

Deus como pretexto; por isso Hawking se refere aos milagres como fez séculos antes Hume: a explicação miraculosa como a explicação mitológica torna-se mais incrível do que o próprio milagre. Um século depois de se ter começado a entender a física nas diferentes escalas do cosmos, os pequenos e os grandes, leves e pesados, lenta e rápida, podemos apenas agradecer a Hawking que use a notoriedade de ser o cientista mais famoso do mundo para explicar que Deus não tem mais onde se esconder, além de se querer acreditar nele.

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