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jornaldodiaadia

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Grécia diz que não recebeu proposta e não aceitará ultimatos,

A Grécia não recebeu qualquer proposta dos credores, após a reunião de Berlim dos líderes da Troika: "O governo grego não recebeu um projecto de acordo entre as instituições, e nem se estabeleceu a comunicação entre o primeiro-ministro ou qualquer outro funcionário com as autoridades competentes das instituições ", revelou esta terça-feira de manhã fonte do governo heleno.

Atenas responde assim à especulação sobre uma possível oferta de "take-it-or-leave-it" por parte dos credores sobre as reformas do país, preparada, aparentemente, após a  reunião que teve lugar segunda-feira entre a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o chefe do FMI, Christine Lagarde e o presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi .

Altos cargos do Syriza, o partido do primeiro-ministro Alexis Tsipras, deixaram clara a sua opinião sobre este possível movimento, embora ainda não se tenha concretizado. "Se estamos a falar de um ultimato que não esteja dentro do quadro do mandato popular, é óbvio que o governo não pode assiná-lo e aceitá-lo", afirmou Nikos Filis a Antena de TV, o porta-voz do partido parlamentar.

Alertando para a possibilidade de que alguns membros do Syriza votarem contra o acordo.

Tsipras poderia chegar a aprovar o acordo com os credores no parlamento sem problemas, com o apoio da oposição. Tanto os socialistas do Pasok como os centristas To Potami já deixaram claro que vão votar a favor de qualquer programa.

A indisciplina por parte de membros do Syriza seria, em qualquer caso, muito embaraçoso para Tsipras, possivelmente o suficiente para convocar eleições ou um referendo.

"Não nos vamos render à chantagem", apontou o Vice-Primeiro-Ministro Yanis Dragasakis durante uma reunião com membros do partido da Esquerda Europeia. "Não faz sentido que chegados a este ponto se se envolva num jogo de culpas sem sentido”, alegando a necessidade de se concentrar com o objectivo de obter um "acordo justo".

A maior parte do governo parece concordar com a opinião expressa pelo Tsipras num artigo publicado pelo jornal francês 'Le Monde'. Grécia já passou linhas vermelhas suficientes: "Depois de sérias concessões feitas pelo governo grego, a decisão está agora nas mãos de instituições, que, em qualquer caso, com excepção da Comissão Europeia, não foram eleitos e não prestam contas ao povo, senão às mãos dos líderes europeus ", escreveu o primeiro-ministro.

Este ponto de vista também é partilhado pelo ministro do Trabalho, Panos Skourletis: "não há espaço para mais compromissos, esperamos que o outro lado assuma as suas responsabilidades.", afirmou na terça-feira de manhã ao canal de televisão Skai.

A Grécia e as instituições 'parecem ter vindo a acertar nos últimos dias a matéria do IVA, mas não conseguiram chegar a um acordo sobre metas fiscais, pensões ou reforma do mercado de trabalho, segundo a imprensa grega.

Atenas tem de lidar em junho com o vencimento da dívida ao FMI 1.600 milhões de euros, divididos em quatro prestações. Os primeiros 305 milhões, com vencimento na sexta-feira. Atenas disse que em princípio não poderia pagar a menos que recebe-se pelo menos parte dos restantes 7.200 milhões de euros do resgate, sujeitos a acordo sobre as reformas do país.