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Primeiro casamento gay de um primeiro-ministro na União Europeia

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É o casamento do ano. Ou pelo menos para esse pequeno país de meio milhão de habitantes: Luxemburgo. O primeiro-ministro, Xavier Bettel, se casou na sexta-feira com seu companheiro desde 2010, o arquiteto belga Gauthier Destenay, no que é um dos primeiros casamentos homossexuais do Grão-Ducado, já que em junho o Parlamento aprovou – por 56 votos a favor e somente 4 contrários – a união legal entre pessoas do mesmo sexo, mas só começou a ser posta em prática em janeiro de 2015.

Deste modo, Bettel, de 42 anos, deu o exemplo na sexta-feira e se casou – em uma cerimônia íntima na primeira hora da tarde, segundo sua família – fazendo uso da lei que ele mesmo aprovou como primeiro-ministro. Apesar das expectativas que esse enlace gerou, o evento pouco foi visto pois “sua vida [do primeiro-ministro] privada não é notícia que interesse à população”, disseram dias atrás fontes próximas ao casal ao jornal luxemburguêsTageblatt. De fato, Bettel recusou ofertas – supostamente milionárias – de revistas de todo o mundo para cobrir o casamento que, de acordo com alguns vazamentos à imprensa, aconteceu na Prefeitura do Grão-Ducado, no centro histórico da cidade.

Nada disso importou muito, pois a imprensa internacional falou do casamento a semana inteira ignorando a “discrição” pedida pelos protagonistas. Grandes publicações do mundo inteiro – britânicas, francesas, italianas, espanholas, norte-americanas, húngaras... – há dias comentam sobre esse casamento que parece ter todos os ingredientes para despertar o interesse popular: amor, política e homossexualidade.

A página do primeiro-ministro no Twitter apareceu mais pessoal do que profissional na sexta-feira. Uma foto romântica do casal olhando-se fixamente nos olhos chama a atenção de qualquer visitante de seu perfil. As páginas da Internet de grupos homossexuais de alguns lugares do mundo também reproduziram as boas novas.

A questão é que não é somente mais um casamento homossexual – pois são 18 os países que mudaram a lei para permitir a união entre pessoas do mesmo sexo em todo o mundo, segundo a Freedom To Marry (Liberdade para Casar), uma associação a favor do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. É o cargo de Bettel que o torna tão excepcional. É um chefe de governo que realiza um casamento homossexual em pleno exercício de suas funções em um dos 28 países que formam a União Europeia. Junto com a ex-presidenta da Islândia, Jóhanna Sigurðardóttir, – que se casou com sua companheira, durante seu mandato em 2010 – e o ex-primeiro-ministro da Bélgica, Elio Di Rupo, o de Luxemburgo é agora o terceiro dirigente do Velho Continente a declarar-se abertamente homossexual. E, além disso, o segundo em poder no Governo de Bettel, Etienne Schneider, também se declarou homossexual, algo que segundo os tabloides locais indica que a sociedade “está mudando” nesse pequeno território profundamente católico e de sociedade conservadora.

Bettel saiu do armário antes de substituir em 2013 o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, como a maior autoridade política do Grão-Ducado. Na ocasião, ele era o prefeito da capital e compareceu a um programa de rádio onde pediu ao técnico que tocasse uma de suas músicas favoritas: The Power of Love, de Frankie Goes to Hollywood, uma banda pop homossexual. “Só tenho uma vida, e não quero escondê-la”, disse o agora primeiro-ministro em uma entrevista ao Los Angeles Times. Bettel já havia informado ao jornal californiano em 2014 sobre seu compromisso com o belga: “Ele me perguntou se queria me casar e eu respondi que sim”, disse entusiasmado.

Após o casamento de sexta-feira, entretanto, não haverá a tradicional lua-de-mel, já que o primeiro-ministro deverá viajar na penúltima semana de maio a Astana, capital do Cazaquistão, onde participará de um encontro econômico. Além disso, Luxemburgo irá receber a partir de 1° de julho – e durante seis meses – a presidência rotativa da UE, para a qual Bettel deve estar preparado.