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jornaldodiaadia

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Dividir a casa com um fumador é “como viver em Pequim”,

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Compartilhar a casa com um fumador é tão mau para a saúde “como viver em cidades altamente poluídas, como Pequim”, segundo os autores do estudo, da Universidade de Aberdeen (Reino Unido). Os pesquisadores compararam as concentrações de finíssimas partículas em suspensão no ar em domicílios com e sem fumadores. Essas partículas, conhecidas como PM2,5, são formadas por metais pesados ou outros compostos derivados dos cigarros ou da queima de combustíveis fósseis, como o carvão industrial ou a gasolina dos carros. Seus efeitos incluem o agravamento da asma, danos pulmonares e até mesmo mortes prematuras em pessoas com problemas cardíacos.

Os cientistas, coordenados pelo médico John Cherrie, detectaram nas casas de fumadores níveis de PM2,5 em média 10 vezes maiores que os encontrados em residências onde ninguém fuma. Nas primeiras, as concentrações ficam em 31 microgramas por metro cúbico, em média, com máximas habituais de 229, próximas dos 250 observados em Pequim. A exposição às PM2,5 que os não fumadores sofrem em lares com fumadores equivale ao triplo dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, advertem os autores. O estudo foi realizado em 110 lares na Escócia.

“Acreditamos que os fumadores podem fazer muito para agir de maneira responsável e fumar fora de casa”, diz Cherrie, que defende a consciencialização. O seu estudo calcula que a quantidade de partículas finas inaladas por um não fumador dentro de casa seria reduzida em/até 86% se ninguém fumasse. Uma pessoa que vive com fumadores durante 80 anos chega a respirar 5,82 gramas de PM2,5 durante a vida. Pode parecer pouco, mas é preciso levar em conta que são partículas ínfimas, capazes de entrar nos pulmões e até mesmo na corrente sanguínea, desencadeando doenças cardiovasculares. “É o equivalente a fumar um cigarro por dia durante um ano”, segundo Cherrie.

 “As concentrações exageradamente altas nas casas indicam o quanto ainda temos de melhorar”, diz o epidemiólogo Esteve Fernández, diretor da Unidade de Controle do Tabagismo do Instituto Catalão de Oncologia. O especialista, alheio ao estudo britânico, mediu as partículas PM2,5 em domicílios de fumadores espanhóis. O seus resultados, por enquanto inéditos, mostram, na Espanha, “concentrações ainda maiores” do que na Escócia, chegando a máximas de 400 microgramas por metro cúbico, frente aos 10 medidos em domicílios sem tabagismo.

O epidemiólogo ressalta, entretanto, que a exposição passiva ao tabaco nos lares espanhóis diminuiu depois das leis antifumo de 2006 e 2011, passando de 32% para 27%. “Isso é importante porque o setor de hospitalidade e a indústria tabagista se opunham à proibição em bares e restaurantes por acreditarem que o consumo se deslocaria para o lar, e não foi isso que aconteceu”, aponta ele. “As pessoas estão a ganhar consciência. Mesmo sendo fumador, a sua família não tem culpa”.

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