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jornaldodiaadia

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Criação de emprego nos Estados Unidos aumenta em abril,

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A criação de emprego nos Estados Unidos aumentou em abril, quando foram registrados 233.000 novas vagas. Portanto, o número está muito próximo do que Wall Street esperava e estimula ainda mais o debate sobre o aumento das taxas de juros em junho. Ao mesmo tempo, o índice de desemprego baixou um ponto percentual, atingindo 5,4% —mesmo nível de maio de 2008, quando o país vivia uma situação quase similar ao pleno emprego. A diferença é que agora a taxa de participação é muito menor.

A economia dos EUA ficou parada no primeiro trimestre, após crescer apenas 0,2%. A cifra poderá ser inclusive negativa quando for revista dentro de um mês. A evolução do emprego em abril, portanto, deveria servir para indicar se o crescimento após o inverno é robusto o suficiente para que o Federal Reserve (banco central norte-americano) sinta-se à vontade antes de subir as taxas de juros.

Janet Yellen, presidente do Fed, já disse que espera que o abrandamento seja “transitória”. E a atribuiu ao efeito das nevadas, ao conflito trabalhista que paralisou a atividade dos portos da costa oeste e ao impacto da valorização do dólar sobre as grandes multinacionais. Mas também quer garantir que a criação de emprego seja sólida para não dar um passo em falso.

Um número inferior aos 200.000 empregos poderia tê-la obrigado a abandonar definitivamente o plano inicial. Mas acabou realizando-o em parte. O mercado esperava que fossem criados 230.000 novos postos de trabalho em abril e que a taxa de desemprego diminuísse em 0,1 ponto percentual. No entanto, o indicador de março caiu para 85.000 vagas, frente às 126.000 ditas inicialmente. O de fevereiro fica agora fixado em 262.000 postos, muito próximo da leitura anterior.

A próxima reunião do Fed será realizada em junho, com a possibilidade de que haja um aumento das taxas de juros nessa data. Julho seria outra possibilidade, mas após esse encontro não há previsão de uma entrevista coletiva de Janet Yellen. Nesta mesma semana, a presidenta da autoridade monetária garantia à diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, que não haverá surpresas.

Portanto, a outra janela de oportunidade seria em setembro. Mas tudo dependerá da evolução dos dados durante a primavera e o verão. A projeção neste momento é que a economia cresça menos de 1% no segundo trimestre, um desempenho claramente inferior ao potencial. O Fed espera que a média do exercício esteja perto de 2,5%, um ritmo similar ao de 2014 e 2013.

Um detalhe que o Fed acompanha de perto é a evolução dos salários, por seu efeito sobre a inflação. A lenta recuperação dos EUA deve-se, em grande parte, a que os salários quase não crescem apesar de o desemprego ter caído pela metade. Mas os últimos indicadores começam a dar sinais de melhora, ainda que estejam no meio do caminho do que se viu antes da recessão.

Um aumento dos salários poderia ser o sinal de que existe mais competição entre as empresas para a utilização de mão de obra qualificada. Além do problema dos salários, ainda existem 6,6 milhões de empregados obrigados a trabalhar em jornada parcial por motivos económicos. Ou seja, não estão ocupados nas horas que gostariam ou que precisariam. É outro sinal de fraqueza. Enquanto isso, a taxa de participação laboral caiu para 62,8%, embora se tenha estabilizado. É o nível mais baixo em três décadas e meia. Em parte, pode ser explicado pela onda de aposentações entre a geração do baby boom. Mas as estatísticas mostram que, seis anos depois da recessão, o indicador continua sem recuperar o nível prévio na faixa de idade dos 24 aos 54 anos.

Ou seja, as pessoas não estão voltando ao mercado de trabalho ao ritmo que se esperava ou que o Fed desejaria. Os dados de abril mostram que 2,1 milhões de pessoas continuam fora do mercado de trabalho porque desistem de procurar emprego de forma ativa nas circunstâncias atuais. Levando-se em conta os contratos parciais, a taxa de subemprego é de 10,8%.