Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

jornaldodiaadia

jornaldodiaadia

Carta a Donald Trump torna-se viral,

470044

No passado dia 16, Donald Trump anunciou a sua candidatura a presidente dos Estados Unidos. No seu discurso, o magnata fez referência à comunidade mexicana “enviada pelo seu país” para os EUA. Várias pessoas ficaram chocadas com as declarações de Trump e decidiram reagir – uma delas foi Adriana Almanza, que escreveu uma carta ao multimilionário. As suas palavras acabaram por se tornar virais nas redes sociais.

Aqui fica a tradução da publicação de Adriana:

“Caro Sr. Donald Trump,Peço-lhe uns minutos para lhe apresentar o meu pai, Raul Almanza. Como disse, ele é um dos muitos que o México “envia” para este país.

Fiz ontem 28 anos e senti-me abençoada por ter a oportunidade de partilhar este dia especial com o meu pai, já que se comemorou também o Dia do Pai. Aliás, ontem o dia não foi dedicado a mim, mas sim a ele. Explico-lhe porquê.

Há 30 e tal anos, o México “enviou” o meu pai para os EUA, ou, como nós dizemos, ‘El Norte’. Todos sabem que ele veio sem documentos, sem autorização ou, como o senhor diz, “ilegal”. Ele trabalhou muito nos campos, viajou de estado em estado à procura de trabalho. Ele ajudava a sustentar os seus pais e os 9 irmãos que deixou na sua terra natal. E, quando eu nasci, ele deixou de ter apenas o título de filho, irmão, cuidador e trabalhador emigrante – Finalmente conquistou o título de Pai.

Raul não tem aquilo que chama um “currículo académico”. Ele deixou o liceu cedo para trabalhar e ajudar financeiramente a sua família. Mas isso não quer dizer nada. Quando eu era mais nova, chegava a casa e o meu pai ajudava-me com os trabalhos de casa; Ele incutiu em mim a importância da educação e de um curso superior, apesar de não ter tirado nenhum. O meu pai trabalhava 5-6 dias por semana desde que eu era pequenina e eu nunca o ouvi a queixar-se. Ele não bebe. Ele não consome drogas. Ele não é um criminoso, um violador ou um traficante de droga, como sugeriu.

Sr. Trump, no seu discurso, o senhor alegava que o México não enviar para os EUA o seu melhor. Mas permita-me discordar. Se o meu pai servir como exemplo do tipo de pessoas que o México “envia”, não tenho dúvida nenhuma de que este país está a receber o melhor. O problema é que eu e o senhor temos definições diferente do que é o melhor.

Estou aqui, com um mestrado feito e uma carreira de sucesso. Sabe o que é que isso significa? Absolutamente nada. Durante a minha vida inteira, a única coisa que quis foi deixar o meu pai orgulhoso. Queria ter a certeza de que ele sabia que os seus sacrifícios nunca seriam dados como garantidos por mim. Financeiramente, não somos ricos. Mas somos ricos no que diz respeito a conhecimento, cultura e fé. Vimos de meios humildes e todos os anos lembramo-nos disso quando vamos até ao México para visitar a nossa maravilhosa família. Para nós, isso é que interessa.

Os melhores, para mim, são aqueles que trabalham muito e continuam a ser humildes. É exactamente isso que o meu pai representa; É exactamente isso que milhões de mexicanos representam.

Se calhar devia conhecer mais pessoas como o meu pai; Existem milhões iguais a ele. Assim, veria por si mesmo aquilo que digo e, em vez de insultar o México, iria agradecer a este país… por enviar o seu “melhor”.”.

A carta foi publicada no Facebook de Adriana no passado dia 22 e conta já com mais de 250 mil ‘gostos’, 127 mil partilhas e 1400 comentários.